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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Lanceiros Negros Farroupilhas.

Lanceiros Negros é o nome dado a dois corpos de lanceiros constituídos, basicamente, de negros livres ou de libertos pela República Rio-Grandense que lutaram na Revolução Farroupilha. Possuíam 8 companhias de 51 homens cada, totalizando 426 lanceiros . Recrutados em meio aos negros campeiros e domadores da atual Região Sul do Estado gaúcho (Canguçu, Pelotas, Bagé, Piraí...).

Tornou-se célebre o 1.º Corpo de Lanceiros Negros organizado e instruído, inicialmente, pelo Coronel Joaquim Pedro, antigo capitão do Exército Imperial, ajudou, nesta tarefa, o então Major Joaquim Teixeira Nunes, veterano e com ação destacada na Guerra Cisplatina. Este bravo, à frente deste Corpo de Lanceiros Negros, libertos, prestaria relevantes serviços militares à República Rio-Grandense.

Armamentos: Excelentes combatentes de Cavalaria, entregavam-se ao combate com grande denodo. Manejavam com grande habilidade suas armas prediletas - as lanças. Estas, por eles usadas mais longas do que o comum. Combinada esta característica, com instrução para o combate e disposição para a luta, foram usados como tropas de choque, uso hoje reservado às formações de blindados. Por tudo isto infundiram grande terror aos adversários. Eram armados também com adaga ou facão e, em certos casos, algumas armas de fogo em determinadas ocasiões. Como lanceiros não utilizavam escudos de proteção, mas sim seus grosseiros ponchos de lã - bicharás, que serviram-lhes de cama, cobertor e proteção do frio e da chuva. Quando em combate a cavalo, enrolado no braço esquerdo, o poncho (bichará) servia-lhes para amortecer ou desviar um golpe de lança ou espada. No corpo a corpo desmontado, servia para aparar ou desviar um golpe de adaga ou espada em cuja esgrima eram habilíssimos, em decorrência da prática continuada do jogo do talho, nome dado pelo gaúcho à esgrima simulada com faca, adaga ou facão. Alguns poucos eram hábeis no uso das boleadeiras como arma de guerra, principalmente para abater o inimigo longe do alcance de sua lança, quer em fuga, quer manobrando para obter melhor posição tática.

Vestuário ou Uniforme: Seu vestuário era constituído de sandálias de couro cru, chiripá de pano grosseiro, um colete recobrindo o tronco e na cabeça uma vincha (braçadeira) vermelha símbolo de República. Como esporas improvisavam uma forquilha de madeira presa ao pé com tiras de couro cru. Esta espora farroupilha acomodava-se ao calcanhar e possuía a ponta bem afiada. Alguns poucos usavam calças, cartola e chilenas (esporas), como o imortalizado em pintura no Museu de Bolonha, Itália.

Combates: Os revolucionários negros participaram efetivamente da tomada de Porto Alegre, da conquista de Laguna, e do conflito na Região de Lages, além da Batalha de Porongos.

Batalha dos Porongos: Em novembro de 1844, a revolução encontrava-se em pleno armistício, e seu fim já começava a ser negociado entre os líderes de ambos os lados. Os lanceiros negros estavam acampados no cerro de Porongos sob comando do general David Canabarro, quando foram atacados de surpresa por forças sob o comando de Francisco Pedro de Abreu, o Moringue. O Corpo de Lanceiros Negros, cerca de 100 homens de mãos livres, tentou resistir ao ataque, mas foram quase todos mortos. Também foram presos mais de 300 republicanos, entre brancos e negros, e 35 oficiais farroupilhas. Cogita-se se que o ataque teria sido previamente combinada com Canabarro para exterminar os lanceiros negros, que poderiam formar bandos após o término da guerra, que já estava sendo tratado. A questão da abolição da escravatura, uma das condições exigidas pelos farroupilhas para a paz, entravava as negociações. A libertação definitiva dos ex-escravos combatentes precipitaria um movimento abolicionista no resto do império, e a mão de obra escrava vinha mantendo a produção agrícola desde os tempos coloniais.

Referências:
* Sousa Docca, Emílio Fernandes de, História do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Org. Simões, 1954. (obra póstuma)
* BENTO, Cláudio Moreira.O Exercito Farrapo e os seus chefes. Rio de Janeiro:BIBLIEx,1992.2v )
* BENTO, Cláudio Moreira.O Negro na Sociedade do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:IEL,1975.
* SPALDING, WALTER. Farrapos!. Porto Alegre. Sulina, 1960. 

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